Representação feminina na História da nossa arte: Tarsila do Amaral

Salut! Como vocês estão? Estamos na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, por isso nosso assunto de hoje é uma das figuras femininas mais importantes da História da Arte brasileira, uma artista que quebrou paradigmas e hoje é lembrada como o grande nome da Arte Moderna no Brasil: Tarsila do Amaral.

Tarsila do Amaral foi pintora, desenhista e tradutora. Nascida em 1886, em Capivari, interior de São Paulo, tinha sete irmãos e sua família tinha boas condições financeiras. Pintou seu primeiro quadro aos 16 anos e morou em Barcelona. Quando voltou ao Brasil, casou-se com André Teixeira Pinto, com quem teve a única filha, Dulce. Foi apenas após a separação que Tarsila do Amaral foi estudar Arte, em 1920, na Academia Julian, em Paris. Antes, já havia tido aulas de pintura, onde conheceu Anita Malfatti. É em junho de 1922 que começa sua ascensão na vida artística, quando a artista ficou sabendo sobre a Semana de Arte Moderna, que aconteceu em fevereiro daquele ano no Brasil.

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A Negra (1923), de Tarsila do Amaral (Imagem: Reprodução)

O chamado “grupo dos cinco”, formado por Tarsila, Anita Malfatti, Oswald Andrade – com quem se casaria mais tarde –, e os escritores Mário de Andrade e Menotti Del Picchia, revolucionou o cenário cultural brasileiro, trazendo para o país as influências das vanguardas europeias. Tarsila entrou para a História da Arte Moderna com a sua tela “A Negra”. A artista teve também a fase intitulada “Pau Brasil”, em que utilizou referências cubistas e explorou o uso de cores das quais gostava quando era criança. Nessa fase, a artista explorava bastante cenas da cultura brasileira, como nas obras “Carnaval em Madureira” e “Morro da Favela”.

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Abaporu (1923), uma das obras mais conhecidas da artista (Imagem: Reprodução)

Em 1928, ela presenteia Oswald de Andrade com o quadro Abaporu (termo que significa homem que come carne humana), sua mais famosa obra, conhecida por crianças, adultos e até quem não se interessa por arte ou sabem quem foi Tarsila do Amaral. Essa obra simbolizou o movimento antropofágico, que tinha a intenção de “engolir”, “deglutir” a cultura europeia, evidenciando o nacional, o que é brasileiro. O uso de cores fortes é um dos aspectos que marcam essa fase de sua obra. Por fim, teve também a fase social, em que representou a causa operária no Brasil. Entre as mais famosas obras está “Operários”, de 1933.

Tarsila do Amaral morreu em 1973, em São Paulo. Consagrada uma das artistas mais importantes do Brasil, ela, assim como Anita Malfatti são exemplos que nos orgulham de figuras femininas em um momento de enorme importância, que foi o surgimento da Arte Moderna no Brasil. Quantas mulheres, em meio a tantos nomes masculinos, têm seus nomes destacados nas páginas que contam a História de nossa Arte? E qual a razão desse número ser desigual? Deixo essa reflexão para esta semana, para pensarmos sempre no valor que as mulheres de todo o mundo têm, no seu trabalho, no seu talento e no respeito que devemos a todas. Viva Tarsila do Amaral! Viva a Arte, um substantivo feminino!

Dica! Está prevista para abril uma exposição individual de Tarsila do Amaral no MASP, dentro de uma programação focada no trabalho de artistas mulheres e narrativas femininas ou feministas

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